Ex-ministro diz que governo mente e dificulta novos votos pela reforma


Ex-ministro da Previdência, Carlos Gabas gravou vídeo que viraliza nas redes sociais sobre mentiras de Temer na proposta de reforma. Segundo o especialista na questão, “a Previdência não está quebrada”.

“Nós não precisamos de uma reforma que tira direitos. O que nós precisamos é de emprego e o Brasil crescendo”. A declaração é do ex-ministro da Previdência, o contador Carlos Gabas, em um dos vídeos de uma série produzida pela TV do Trabalhador (TVT). Ele rebate os principais pontos defendidos por Michel Temer, veiculadas durante a programação. O vídeo começa a se disseminar pelas redes sociais e dificulta, ainda mais, o trabalho de convencimento do governo.

Gabas, ex-ministro da Previdência, aponta as mentiras do governo Temer na proposta de reforma

Gabas lembra que a mesma história de que o sistema público de aposentadorias estaria prestes a falir é contada há mais de 30 anos. Desde quando ele começou a trabalhar no INSS.

Contas no azul

O ex-ministro também destaca relatório da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Senado. Em relatório, garantiu que a Previdência não está quebrada.

— O que precisa é cobrar os devedores, acabar com a sonegação e as renúncias fiscais — aponta o ex-ministro.

Segundo Gabas, até 2015, as contas da Previdência estavam no azul. Agora, a arrecadação vem caindo por conta da elevação do desemprego.

— Naquele tempo, nós tínhamos emprego, salário, tínhamos distribuição de renda, e isso aumentava a arrecadação. Isso fazia que a Previdência tivesse recursos suficientes para pagar os benefícios — afirma o ex-ministro.

Sem votos

Diante da indecisão de mais de 150 parlamentares da base governista, quanto a apoiar a reforma proposta por Temer, a tendência é que a votação marcada para o próximo dia 20 seja adiada, sine die. Sem previsão de que o governo conseguirá os votos necessários para aprovar a reforma da Previdência, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse a interlocutores que poderá retirar o projeto de pauta.

Maia avisou o Palácio do Planalto que não pretende agendar nova data para votação do projeto, caso não haja apoio de 308 dos 513 deputados. O texto, segundo disse Maia, ficará como “legado” para ser votado em 2019 pelo novo presidente da República. O parlamentar não gostou das declarações do presidente Michel Temer sobre ele “ter feito sua parte” para que a reforma avançasse no Congresso.

Fora da pauta

Caso Temer e seus auxiliares tentem transferir aos deputados a culpa por não terem dado aval ao projeto, mais agressiva tende a ser o discurso de Maia, quando a reforma naufragar por completo. A aliados, o presidente da Câmara disse que isentará os parlamentares e deverá enumerar um a um os motivos pelos quais, na sua opinião, o governo perdeu apoio no Congresso.

O presidente da Câmara avalia, ainda, que o Planalto gastou boa parte de seu capital político e financeiro no ano passado; para enterrar as duas denúncias contra Michel Temer. Maia admite que a derrota da Previdência já é prevista por políticos, empresários e investidores, mas acredita que propostas como a reoneração da folha de pagamento, a privatização da Eletrobras, entre outras, podem ser uma forma de acalmar o mercado.

Com a Previdência fora da pauta, esses projetos terão um caminho mais livre para avançar no Congresso.

Estratégia

Temer e seus auxiliares, por enquanto, não querem reconhecer que a derrota. Nesta manhã, o articulador político do Planalto, Carlos Marum, disse que há margem de manobra para que o texto, altamente modificado em relação ao original, consiga o aval da Câmara.

Na véspera, Temer esteve reunido, no Palácio do Jaburu, com o relator, Arthur Maia (PPS-BA), e os auxiliares Henrique Meirelles (Fazenda) e Moreira Franco (Secretaria-Geral). Conversaram sobre os pontos que ainda podem ser negociados na tentativa de vencer as resistências dos deputados indecisos.

No plano de fundo, pesa a questão política. Maia aparece apenas com 1% das intenções de votos na última pesquisa Datafolha e sabe que a Previdência é uma bandeira pouco popular. Sua estratégia agora, segundo observadores políticos, é colocar em pauta na Câmara propostas de segurança pública e saúde, com mais apelo junto à sociedade.

Rejeitado

Auxiliares do titular da Fazenda avaliam que Maia poderia tentar culpar Meirelles pelo fracasso da reforma. Ambos disputam o posto de candidato da centro-direita como uma alternativa a Geraldo Alckmin (PSDB). Inicialmente, avaliavam que obter protagonismo à frente da medida era essencial para o sucesso das candidaturas.

Maia, porém, afirma publicamente que não quer transferir a Meirelles o peso da derrota. O deputado acredita que, caso o Planalto decida lançar um candidato do governo, o próprio Temer deveria encenar o papel.

Com aprovação baixíssima, o presidente nega que disputará a reeleição. Segundo o Datafolha, 87% dos eleitores não votariam em alguém indicado por ele.

 

Fonte: Correio do Brasil

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