Lula, o “Cabra da Peste”.


Foto: Ricardo Stuckert

Nada mais original para o sertanejo, do que a expressão “cabra da peste” para o sujeito valente, corajoso e batalhador. Àquele que sobreviveu superando todos os sofrimentos e dificuldades da vida.

A pobreza extrema sempre foi a raiz do Nordeste e matar a fome de milhões de sertanejos nunca foi a prioridade dos governos elitistas. Em 1995, a Revista Veja fez uma matéria onde a maioria da população em extrema pobreza comia calango para sobreviver no sertão nordestino.

De acordo com a música Sertão Sofredor do saudoso Luiz Gonzaga, logo na introdução ele faz um relato de como era a vida do nordestino, especialmente o sertanejo, dizendo:

“Ah, meu sertão véio sofredô! Terrazinha pesada da gota! Terra mole, vôte… Quando chove lá, chove prá derreter tudo. A terra vira lama, a cheia acaba com os pobres, açudão pro mundo… Aquilo num é nem chuva, é dilúvio! E quando não chove é mais pior meu chefe! É o verão brabo! Torrando tudo, lascando, acabando com o que era verde! Home… Pulo verão no meu sertão, de verde só fica mermo pano de bilhar, óculo reiban e pena de papagaio! É um desadouro meu chefe!”

Diante de todas as adversidades do nordestino, um retirante, saído da miséria, chegar a ser Presidente da República, merece no mínimo respeito. O Brasil sempre foi governado por uma elite perversa que nunca escondeu o modus operandis de administrar… com a faca na garganta do povo pobre.

E em meio a desesperança, surge um “cabra da peste”, que sentira na pele a miséria e o horror das desigualdades. Um homem que veio justamente do lugar onde o perdão e a oração eram o consolo. Mas em 2003, com a vitória do povo, as coisas começaram a mudar para os nordestinos. Com políticas sociais, distribuição de renda e diversos investimentos em obras estruturantes nos estados, o Nordeste passou a ser visto com outros olhos. Lógico que ninguém acerta 100%, e equívocos houveram, mas foi durante o governo Lula que os pobres foram colocados no orçamento nacional, o consumo foi acelerado fazendo a economia crescer, diversos programas sociais foram criados para amenizar a desigualdade. A Universidade, antes dos ricos, passou a ser de todos com a criação e ampliação, tanto de unidades como de vagas. Centenas de escolas técnicas foram criadas por todo o país. Mais de 15 milhões de empregos foram criados de 2003 a 2010. O sonho da casa própria passou a ser mais real e a fome foi quase erradicada, tirando o Brasil do Mapa da Fome, em 2014, já no governo Dilma. Segundo a ONU, foram 82,1 % a redução de pessoas subalimentadas no país.

Tem que ser cabra da peste para fazer o Nordeste crescer mais que o Brasil, com 4,1% contra 3,3%, respectivamente, de acordo com o BC. Só para se ter uma ideia, a estimativa de crescimento do atual governo é de 1,3%. No entanto, alguns economistas discordam e acreditam que o crescimento em 2017 ficará abaixo de 1%. Mas, mesmo que os números sejam favoráveis, o mais importante é o crescimento direto na vida das pessoas.

Tem que ser cabra da peste para incluir o povo na divisão do bolo. “O Brasil é um país de tamanha riqueza e não é justo que apenas uma pequena parcela abastada fique com o bolo inteiro, todo o povo brasileiro tem direito a um pedaço do bolo”, disse o ex-presidente Lula em um discurso.

E pensando na divisão do bolo o ex-presidente Lula deu ao povo nordestino, especialmente o pobre, políticas de inclusão que deram homogeneidade social. Após o governo Lula, a presidenta Dilma, continuou com as políticas públicas do seu antecessor. Mas uma forte crise econômica mundial, em 2014, prejudicou os avanços acelerados que os governos Lula e Dilma vinham realizando. Porém, com dedicação e trabalho, logo o país voltaria a crescer.

Infelizmente, com uma conspiração iniciada em 2014, pós-eleição, pelo candidato derrotado Aécio Neves, que no seu discurso deixou claro que inviabilizaria o governo Dilma. Diante de diversos embates e disputas, em 2015 o usurpador Michel Temer, avalizado por Eduardo Cunha, Vice-Presidente da República e Presidente do Congresso, respectivamente, semearam e executaram com a ajuda de muitos achacadores e oportunistas no Legislativo, um golpe que interrompeu temporariamente um projeto de inclusão iniciado em 2003.

Três anos depois do Brasil sair do Mapa da Fome, o país regressa ao mapa de acordo com a ONU, fruto ainda do golpe, onde o governo Temer, destrói e retira diversos direitos conquistados. A “ponte para o futuro” se tornou a destruição do futuro, já que a reforma da previdência proposta praticamente acaba com as possibilidades de aposentadoria do trabalhador. É mais que notório, que o Brasil precisa de N’s reformas, mas para ser justo, para arcar com a conta, todos os brasileiros deveriam pagá-la. Na reforma da previdência, por exemplo, todos deveriam estar dentro do pacote, a classe política, o judiciário, os militares e o trabalhador comum. Não é justo que o trabalhador assalariado trabalhe até morrer para bancar a gorda aposentadoria de alguns privilegiados.

A situação no Brasil está tão séria, que recentemente um representante de um sindicato dos policiais federais, em uma reunião no Ministério do Planejamento, deixou bem claro, que a PF vai às ruas manifestar-se, e se necessário for, vai para o enfrentamento com outras forças policiais, o que poderia descambar para uma guerra policial com os civis no fogo cruzado. O representante sindical disse ainda, que os policiais federais vão às ruas para garantir à segurança dos manifestantes e da população que lá estiver para lutar por seus direitos. No mínimo é um sinal de alerta para as barbáries do governo Temer.

Diante de tantas maldades feitas pelo atual governo, o ex-presidente Lula avança nas pesquisas, sendo o principal nome da esquerda e a maior esperança do povo brasileiro para as eleições de 2018. Na caravana Lula Pelo Brasil, em atos, cada vez mais lotados, o ex-presidente nos braços do povo, vive um caso de amor com o Nordeste, onde… “o Presidente é povo e o povo é Presidente”.

 

Mário Dias

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