O lugar da escola pública no Brasil atual


A escola que sempre representou o espaço do saber por excelência, é também o espaço em que são refletidas as relações de poder, sobretudo numa sociedade de extrema desigualdade como a nossa. Num país onde não se investe o mínimo necessário em políticas públicas estruturantes e onde se reserva, reiteradamente, o lugar de coadjuvante a tudo o que é público, a escola pública se torna uma ficção, torna-se a escola dos fracassados.

Ao abandono da educação pública brasileira (só lembrada nas campanhas eleitorais e mesmo assim sem a profundidade merecida) soma-se o imenso hiato entre o saber acadêmico (dentro das universidades) e a crua realidade do cotidiano escolar, apesar da grande relevância das licenciaturas, ainda hoje para a absorção significativa de um grande número de estudantes que adentram a academia.

Nesse cenário, o lugar da escola no Brasil atual parece bem mais conflituoso, pois mal resolvemos questões cruciais na educação básica nacional, o significativo investimento que víamos tempos atrás na educação superior, cessa na política de governo do atual presidente que, aliás, só parece preocupado em sobreviver politicamente às tempestades de denúncias e quando tem a oportunidade reflete os erros mal intencionados  de uma direita de quinta categoria que exalta o mercado sem freios e o estado mínimo sem a reflexão necessária. Por sinal, nas grandes nações consideradas berços do capitalismo, o sistema público e com ela a educação parecem funcionar bem ao lado da iniciativa privada, sem os conflitos da nossa sociedade plutocrata, egoísta que não querem ver os filhos das pessoas das classes populares crescerem, e nesse processo muita inteligência deixa de ser aproveitada em prol do nosso próprio país. Mas, ao comparar com outras nações o nosso Brasil, não quero com isso fazer coro com os que exaltam o que dá certo lá fora para que copiemos, pois disso já tivemos provas que não dá certo (lembram do MOBRAL?).

É preciso que criemos métodos próprios do Brasil, que já é um país do tamanho de um continente, para enfrentamento dos problemas cruciais e reais da escola pública, é preciso envolvimento da sociedade civil e aproximação desta com a escola, é preciso também que as universidades se aproximem da escola para a verdadeira práxis transformadora. Chega de políticas de cima para baixo que não ouvem os principais atores da escola e nem valorizam a inteligência viva do jovem e da criança brasileira da classe baixa. Mas, sobretudo, é preciso vontade política e de uma política que tenha plano de desenvolvimento para o país e não para os poderosos. É preciso, definitivamente, acabar com essa história de que educação é luxo, pois o preço da ignorância é extremamente nocivo ao nosso futuro.

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