A função da Comunicação social é, fundamentalmente, fazer a articulação política.


A construção de um diálogo eficiente entre a sociedade organizada e o governo é a alma de qualquer administração, por outro lado é preciso reconhecer as novas formas associativas e de participação como instrumentos de atuação em sociedades democráticas, esse é o grande desafio que se apresenta na nova gestão pública. Um aspecto fundamental a ser considerado na área de gestão da comunicação é que assistimos, no fim de século XX, a revolução tecnológica, onde o espaço geográfico foi reduzido drasticamente e transformou a comunicação social em instrumento imprescindível, aproximando as pessoas, colocando o mundo todo em contato online, acendendo mudanças fundamentais no modo de produção, traz mecanismos próprios de apresentação de interesses coletivos, introduz sistematicamente novas demandas, valoriza ainda mais os profissionais de comunicação e, consequentemente, alçando-os a novos e importantes atores políticos. As mídias sociais são a grande novidade desse universo tecnológico, elas constituem uma nova ferramenta de comunicação política, o Twitter, o Facebook e o Instagran, por exemplo, representam novos padrões de participação democrática, pela sua agilidade e capacidade de difundir informações que contribuem para o bem-estar da sociedade, oportunamente permite criar redes de discussões, envolvendo diferentes pontos de vistas, abrindo espaços interativos para críticas, sugestões e inputs de toda natureza, democratizando o processo de conversação entre poder e cidadãos, aliás, como deve ser! A relação internet e sociedade esta se convencionando chamar pelos estudiosos do tema como sociedade-rede, local onde as diferentes esferas de governo e a sociedade civil se encontram em permanente processo de negociações e troca simultaneamente de experiências, abrigando todas as possibilidades de intercâmbio entre o governo e os governados, num fluxo constante de ideias bilaterais, abertas e livres, apesar de seus interesses distintos e muitas vezes antagônicos, são os primeiros passos de uma participação mais ativa (poder e povo) num processo embrionário, elementar e incipiente da construção do sólido alicerce de uma sociedade efetivamente soberana e democrática. Essa inovação vem se caracterizando pela afirmação de novas relações entre os diferentes atores, o governo, a sociedade, o mercado, o terceiro setor, etc. Todos esses elementos estão sofrendo um processo de reengenharia, migrando da centralidade para a descentralização de poder, da maior participação da sociedade civil na agenda pública e nos processos decisórios, desde o financiamento até a execução de políticas públicas, a democratização dos meios de comunicação, o surgimento das Rádios Livres e Comunitárias, o marco civil regulatório da Internet, enfim, esses movimentos devem se constituir, e só terão sentido, na garantia da participação popular. Esse novo cenário é infinitamente mais dinâmico, diligente, complexo e abstruso, mas à medida que, gradativamente, vai rompendo com antigos paradigmas, navegando também em propostas baseadas em experiências de interesses coletivos exitosas, vivenciadas no interior de cada um desses segmentos sociais, se consolida a tese de que a comunicação social pode e deve, fundamentalmente, ser a articuladora política de qualquer gestão. Entretanto para que isso ocorra eficazmente, apresentam-se alguns desafios, primeiro na habilitação (seja Jornalista, Radialista, Publicitário ou Relações Públicas) condição mister necessária à elaboração de projetos de comunicação social na atualidade e depois que seja um elemento ambientado e com razoável trâmite no complicado “mitier” político. Alguns fatores indicam desafios e especificidades na gestão da comunicação governamental, é imprescindível a boa articulação com os veículos de comunicação (rádios, jornais, sites, tvs, e com seus expoentes) igualmente importante é o entendimento, o feeling e a militância política, saber estabelecer  prioridades, desenvoltura para trabalhar com recursos cada vez mais escassos em contraposição às crescentes demandas sociais, conhecimento da máquina administrativa para potencializar com criatividade os resultados, liderança para criar condições, instrumentalizando os meios de sustentação das ações executadas a fim de garantir total transparência e superar a limitação e a burocracia administrativa. Outro fator decisivo é compreender a importância da comunicação social em decorrência da complexa teia social, do surgimento das novas tecnologias, do aumento populacional, das demandas de toda ordem e da necessidade, até por força da lei, em transformar as atividades públicas mais transparentes possíveis. Por fim, é importante salientar que atualmente a nova gestão pública deve unir os diferentes atores sociais, o público, o privado e as organizações sociais para encontrar soluções para os diferentes problemas surgidos a cada dia, as funções gerenciais de uma comunicação ativa são essenciais e até indispensáveis no processo de execução de políticas públicas produtivas e eficientes, a não ser que a opção seja um regime centralizador, autoritário e imperioso, onde a comunicação seja algo unilateral, no sentido único de alienar e manipular a coletividade, para manter a dominação e continuidade do poder pelo poder a qualquer preço.

 

Valter Albano

Publicitário e historiador

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