Estância: o presente de aniversário é dizer não à privatização do SAAE


Situada no baixo Piauitinga, a cidade que ensinou o estado a ler jornal, não possuía sistema de abastecimento de água até o final da década de 1960, quando o prefeito Raymundo Silveira Souza (1909-1989) liderou a construção do Serviço Autônomo de Água e Esgoto – SAAE.

Até então, o abastecimento domiciliar era bastante precário, ou seja, realizado através de carroças-pipas ou poços artesianos perfurados nos fundos dos quintais e que nem sempre garantia uma potabilidade adequada, para o consumo e o bem estar do conjunto da população.

Seu Raymundinho foi visionário e contou com o apoio da Câmara de Vereadores, especialmente do presidente, Valdir Oliveira Menezes (1932-2013), para viabilizar os recursos necessários, através de um empréstimo junto ao Banco Interamericano de Desenvolvimento – BID, com prazo elástico.

A realização da obra foi sinônimo de desenvolvimento e modernidade, afinal de contas, a “Princesa do Piauitinga” era contemplada com uma política pública há muito aguardada e que trazia dignidade e qualidade de vida para o povo, uma conquista de fato maiúscula.

A gênese legal da autarquia está na Lei Municipal de nº 274/67, de 28 de novembro de 1967, que criou e definiu as suas atribuições e que de certa forma garantiu a continuidade dos serviços de abastecimento, por mais de meio século, colaborando com a segurança hídrica da cidade.

A história é longa e de lá para cá o órgão público em epígrafe já passou por gestões comprometidas e dignas de aplausos, como também por outras medíocres e até mal intencionadas, com o objetivo de fortalecer projetos pessoais inconfessáveis e com desvios flagrantes de finalidade.

Recentemente a atitude privatista do governador Fábio Mitidieri, com relação à Companhia de Saneamento de Sergipe – DESO e aos SAAEs, com a complacência do prefeito Gilson Andrade e do vice André Graça, o SAAE estanciano passou à mira da iniciativa privada (por doze milhões de reais), como se a água fosse uma mercadoria.

O presidente do Sindisan, Sílvio Sá, e o representante local, Luciano Santos, tem alertado sobre o risco da privatização dos serviços de água e esgoto, o que poderá ter como consequência o aumento tarifário, impossibilitando o acesso de parte significativa da população.

Nessa toada o ambientalista e dirigente da ONG Água é Vida, Luiz Alberto Palomares, estudioso do tema defende a mudança de local da Estação de Tratamento de Água – ETA e recentemente deu uma declaração dura, dizendo que a entrega do SAAE ao capital é uma loucura.

Foi formada também uma comissão da sociedade civil que é composta dentre outros por: Jorge Batista, Ricardo Neves e Angélica Sedano, que tem sido fundamental na organização e mobilização popular, objetivando a defesa intransigente da entidade hidrológica.

O presidente da Câmara de Vereadores, Dr. Cristóvão Freire, tem dialogado com os segmentos envolvidos, já os edis: José Evandro Machado Soares (Evandro da Praia) e Isaías de Jesus dos Santos (Negobia) do PSOL e Artur Oliveira Nascimento, PT, tem utilizado a tribuna e participado de atos públicos contrários à privatização.

Como um patrimônio inestimável da população estanciana, não está à venda e não tem preço. A sua privatização (ou concessão) é crime de lesa-município e os gestores que corroborarem para tal tragédia não passarão impunes e certamente arderão no fogo do lixo fétido da história.

Por isso que o melhor presente de aniversário para Estância nesse 4 de maio, é dizer não à privatização do Serviço Autônomo de Água e Esgoto, para continuar cumprindo a sua missão social de garantir abastecimento de qualidade, com uma tarifa justa para a municipalidade.

José Domingos Machado Soares (Dominguinhos)
É professor e radialista.

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