A política e o isolamento social


Já dizia Aristóteles (384 – 322 a.C): “O homem é um animal político”. Essa, com certeza, é a melhor definição do homem, da antiguidade a contemporaneidade. Pois, todos os atos praticados, bons ou maus, são políticos. A política define tudo na vida das pessoas: a educação, a saúde, a economia, o status social, etc. A quarentena imposta a toda humanidade decorrente do ágil e letal coronavírus mostra de forma ampla e capciosa a desigualdade social, a injustiça, a violência doméstica, o abuso de vulneráveis, a discriminação, a exclusão, a desinformação, a intolerância, o désdem, o medo, enfim, tudo que é inaceitável em uma sociedade justa. Mas, são nas crises humanas que encontramos a solidariedade, a criatividade, a compaixão, a coragem, a esperança e a Fé. É de Aristóteles também a frase que diz que “a política não deveria ser a arte de dominar, mas sim de se fazer justiça”. No entanto, ao longo dos séculos, a política tem sido utilizada para aprisionar, reprimir, dominar, usurpar… Em todos os poderes… em todos os regimes.

Desde que a quarentena foi imposta pelo Ministério da Saúde, seguindo as orientações da OMS – Organização Mundial da Saúde, o presidente Bolsonaro têm tentado passar a imagem que o covid-19 causa apenas uma “gripezinha” ou um “resfriadinho”, inclusive submetendo-se ao contato imprudente com vários apoiadores em Brasília. É óbvio que a maioria dos governadores e prefeitos em todo o país, não levaram as falas do Jair muito a sério. Diante disso, de forma inescrupulosa e irresponsável Bolsonaro resolveu declarar guerra e atirar pra todo lado, inclusive em aliados, como o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, um ex-bolsonarista de carteirinha e os arrependidos Witzel, governador do Rio e Doria, governador de São Paulo. Bolsonaro ameaçou emitir um decreto presidencial para acabar a quarentena e assim fortalecer o empresariado que querem que os trabalhadores voltem ao trabalho e corram o risco enquanto ficam em suas mansões, apartamentos luxuosos, etc., se o trabalhador morrer de covid-19 ele substitui e pronto. Para sorte do povo o ministro do STF, Alexandre de Moraes, o impediu dessa loucura. Foi a segunda derrota de Bolsonaro em menos de três dias. Dois dias antes quis demitir o ministro Mandetta, que temporariamente faz um bom trabalho, ainda que, não nos esqueçamos que o Mandetta apoiava a privatização do SUS e apoiou a expulsão dos médicos cubanos do Brasil no Programa Mais Médicos, talvez hoje, esteja arrependido. Mas o Ministro da Saúde segue no cargo por ordem, exclusiva e unicamente, do Exército Brasileiro, que hoje governa o país, tendo no comando o General Walter Braga Neto, Ministro da Casa Civil, tornando Bolsonaro uma mera “Elizabeth II”. Talvez alguns achem que as atitudes do presidente sejam loucuras, com as falas grosseiras, atrapalhadas e tal, mas “o homem é um animal político” lembra?, e esses discursos atabalhoados são para manter sua base de apoiadores, que diminui a cada dia, e esquivar-se da gestão desastrosa, tanto na economia quanto no social, além da péssima relação internacional com países como a China, a França, dentre outros. Nunca vi tantos ‘zeros’ interferindo nas relações institucionais do governo como agora. Zero Um, Zero Dois, Zero Três… A irresponsabilidade do presidente é pensada, arquitetada e objetiva. Depois de dizer que era uma gripezinha, passou a dizer que apenas os idosos poderiam morrer com coronavírus, como se nossos pais e avós fossem descartáveis, como as máscaras, luvas e muitos outros EPI’s que estão faltando no sistema de saúde. A menos que Bolsonaro mude ou reavalie os poucos conceitos, até seus dias de “Rainha da Inglaterra”, podem estar contados e nem a sua subserviência de capacho do ‘amigo’ Trump poderá salvá-lo. Sem apoio político no Congresso Nacional, no STF e agora no Exército Brasileiro, Bolsonaro poderá cair a qualquer momento dando lugar a Mourão que ao que parece está com discurso alinhado com a base militar, o congresso e o supremo. Foi de Mourão a confirmação que Mandetta ficaria no cargo, mesmo Bolsonaro tendo noticiado que demitiria o ministro, apesar de Rodrigo Maia e Davi Alcolumbre dizerem que a saída do ministro enfraqueceria a relação com o congresso. Mourão bateu o pé e disse que Mandetta ficaria e depois proferiu a frase: “Braga Neto é o homem certo, no lugar certo e na hora certa”.

É responsabilidade de quem conduz o país, os estados e os municípios, a saúde do cidadão. Porém, apesar de estados e municípios adotarem o isolamento horizontal tão criticado pelo presidente, percebemos que muitas pessoas estão nas ruas. O Governador de Sergipe, Belivaldo Chagas foi rápido em emitir decreto com medidas de acordo com as orientações da OMS e do Ministério da Saúde, paralisando atividades escolares, fechando bares, shopping’s, cancelando eventos esportivos, musicais e teatrais, impedindo assim a proliferação do vírus. Mas, é chegada a hora de endurecer ainda mais algumas medidas. Em Estância/SE, muitas pessoas estão se aglomerando nas portas de casa para beber, idosos sentados nas praças, filas imensas nas portas dos bancos e lotéricas, etc. Assim, é preciso uma ação mais efetiva da prefeitura para que as pessoas #FIQUEM EM CASA, mas se for necessário sair, que saiam devidamente equipados ou minimamente com máscaras, pois muitas pessoas podem estar assintomáticas e serem agentes transmissores da doença. É necessário ficar o máximo possível em casa. Só assim venceremos o coronavírus.

Cláudio Hiroshy

Poeta, diretor de produção, compositor, editor e redator do Entre Notícias

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