ESTÂNCIA: FALTA BAIRRISMO OU COMANDO POLÍTICO?


Por Álvaro Siqueira Jr.

Num passado não tão distante, Estância já foi uma cidade vanguardista em vários aspectos. Conhecida como a “Cidade Jardim de Sergipe” — título concedido pelo então imperador do Brasil, Dom Pedro II —, a cidade também abrigou o primeiro jornal impresso do estado, O Recopilador Sergipano, o que lhe rendeu o título de “Berço da Cultura Sergipana”, além de um rico acervo arquitetônico que, aos poucos, vem desaparecendo.

Na política, sua grandiosidade não era diferente. A Capital Brasileira do Barco de Fogo sempre teve forte representatividade, contando com deputados estaduais e federais. Foi assim com Walter Cardoso Costa na década de 1970; com Leopoldo Souza no final da década de 1980 e início de 1990; e, posteriormente, com Carlos Magno Costa Garcia (que atuou nas esferas estadual e federal) e Ivan Leite, que representou a Cidade Jardim por dois mandatos na Assembleia Legislativa de Sergipe (ALESE).

De uns tempos para cá, no entanto, a “Rainha do Abaís” veio perdendo força no cenário político estadual. Seus últimos representantes foram Gilson Andrade e Valdevan 90 — sendo que o primeiro renunciou ao mandato legislativo para assumir a prefeitura de Estância. Após esse período, a falta de liderança tomou conta da articulação política do município.

Enquanto cidades como Lagarto e Itabaiana, que historicamente possuíam a mesma relevância regional que a nossa, hoje ostentam diversos deputados estaduais e federais, Estância parou no tempo. Chegamos ao ponto de o grupo que comanda o município por aproximadamente 20 anos não ter condições (ou coragem) de lançar um nome para concorrer a uma vaga de deputado federal. Isso fez com que o candidato da gestão, Gilson Andrade, apoiasse e votasse em Gustinho Ribeiro, que representa o município de Lagarto. Diante disso, cabe a pergunta: como o atual prefeito, André Graça, e seu candidato local querem cobrar bairrismo da população?

Somado a isso, o desgaste natural de duas décadas no poder já dificulta a eleição do candidato governista. Porém, é aí que reside o grande problema: os meios de comunicação ligados ao paço municipal — o que é natural em quase todos os municípios — atacam quem decide votar em candidatos de fora, como se a eleição fosse municipal. Vale reiterar: a eleição é estadual, e todos os candidatos precisam buscar votos além de suas fronteiras.

No que tange à falta de comando, dos 14 vereadores da base governista, apenas 5 declaram voto no candidato do prefeito. Para piorar, os principais cabos eleitorais dessa turma já anunciaram apoio a outros nomes ou se movem na surdina. Recentemente, o caldo azedou de vez: os próprios aliados passaram a atacar o candidato do prefeito e, segundo analistas, desencadeou-se uma verdadeira guerra de “milícias digitais” ligadas aos grupos políticos locais.

Resumindo: a falta de comando político-administrativo do atual gestor afetará em cheio os planos de seu candidato a deputado estadual, Gilson Andrade. Por falta de coragem e protagonismo, a liderança local enviará os votos da “terrinha” para a Lagarto dos Ribeiros.

É muito triste ver uma cidade como Estância, outrora referência em todos os aspectos citados no início deste texto, hoje representada por políticos sem brilho, cuja principal função parece ser bajular os governos de plantão. Ficamos para trás não apenas politicamente, mas também economicamente em relação às demais cidades polo do estado. Precisamos refletir.

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