Eventual derrota de Trump nas eleições de meio de mandato pode ampliar pressão sobre ele em temas ligados ao Brasil
As eleições de meio de mandato dos Estados Unidos, nesta terça-feira (3), podem aumentar a pressão sobre o governo de Donald Trump em temas que afetam diretamente o Brasil, como as tarifas comerciais, as sanções e a atuação americana na América Latina.
Uma eventual vitória dos democratas na Câmara abriria caminho para investigações sobre decisões da Casa Branca, incluindo a concessão de vistos a Flávio Bolsonaro (PL) e a possível participação de autoridades americanas em sua saída do Brasil após a derrota para Lula (PT).
Embora possa não significar necessariamente uma alteração na política do republicano em relação ao seu maior vizinho ao sul, especialistas avaliam que a mudança reforçaria a fiscalização sobre o Executivo.
Parlamentares democratas intensificaram o envio de cartas ao Departamento de Estado, manifestando incômodo com a política americana para o Brasil. Em setembro, um grupo de 31 congressistas cobrou do governo Trump o compromisso de não interferir nas eleições brasileiras e reconhecer o resultado.
Interlocutores do Congresso avaliam que o grupo, que reúne cerca de cem parlamentares, poderá ganhar mais integrantes em janeiro com a chegada dos eleitos nas midterms, como é chamado o pleito do meio de mandato.
Para Mark Langevin, analista sênior da consultoria Horizon Engage, uma maioria democrata deverá se empenhar em investigar as circunstâncias da concessão do visto americano a Flávio e buscar detalhes sobre a atuação do secretário de Estado, Marco Rubio, no episódio.
O alcance dessas iniciativas, porém, dependeria do resultado eleitoral. Mesmo que os democratas conquistassem as duas Casas, enfrentariam obstáculos para aprovar leis contrárias à vontade de Trump.
Nesta terça, os americanos elegerão os 435 deputados e cerca de um terço do Senado (35 de 100). Hoje, os republicanos controlam as duas Casas e dão a Trump uma base favorável.
Para Nick Zimmerman, pesquisador sênior do Inter-American Dialogue e ex-diretor para Brasil e Cone Sul da Casa Branca de Barack Obama, a grande mudança em caso de maioria democrata no Legislativo seria a abertura de investigações sobre o governo republicano.
Guardadas as diferenças entre os sistemas americano e brasileiro, seria como instalar comissões parlamentares de inquérito (CPIs) para apurar a atuação do governo. “Seria um monte de investigações, de cartas exigindo mais informações para tentar montar uma narrativa política e eleitoral de corrupção [contra o governo Trump]”, afirma. Segundo ele, os democratas poderiam usar o material reunido para fortalecer sua posição na disputa presidencial de 2028.
Fonte e texto: Folha de São Paulo
