Falta de alinhamento político entre Governo André Graça e base aliada, começa a mostrar fissuras no legislativo


 

Nos últimos dias, dois vetos do prefeito André Graça (PSD) geraram uma confusão danada na Câmara Municipal, nos senadinhos, na sociedade e nos aspirantes a cientistas políticos. O primeiro veto de autoria do presidente da Câmara, o vereador Kaique Freire (PSD), que justificou ser um pedido da OAB, contou com o apoio dos vereadores Artur Oliveira (PT), Flávio Brasil (PSD), Elenilton Negão (PDT), Isaías Negobia (PSOL), Carlos Blinofi (UB), Henrique CD’s (UB) e Ninho de Bado (PP), derrubando assim o veto do prefeito André Graça. Vale ressaltar que esse projeto foi duramente criticado nas redes sociais, porque a população entendeu ser um privilégio concedido à profissão de advogado para não enfrentar filas, quando na verdade o projeto deixa claro que a prioridade é no exercício da profissão para resolução de problemas de algum cliente e não de assuntos pessoais. Mas o que mais chamou a atenção foi o segundo veto, um projeto de autoria da vereadora Marta Monteiro (PSD), que beneficiaria crianças com autismo e deficiência. De acordo com a vereadora a proposta já tinha um parecer favorável do jurídico da Câmara, reconhecendo a sua constitucionalidade com base no art. 196 da Constituição Federal, mas que foi vetado pelo prefeito e mantido o veto com o apoio dos vereadores Sandro de Bibi (PSD), Flávio Brasil (PSD), Zé da Paz (PSD), Ninho de Bado (PP), Carlos Blinofi (UB), Cleide de Júlio Camelô (Cidadania) e Pedro Marcelo (PP).

Essa celeuma começa a mostrar uma fissura entre o Executivo e o Legislativo estanciano, já que em ambos os vetos as votações foram muito apertadas, mostrando uma divisão no alinhamento político e na condução do prefeito junto a sua base, já que declaradamente 13 dos 15 vereadores se dizem ‘base aliada’. A vereadora Marta Monteiro (PSD), saiu muito bem junto a opinião pública, com um discurso alinhado em defesa dos direitos das crianças autistas, enquanto o prefeito e alguns vereadores começaram a ser massacrados na rede social. Uma mãe desabafou: “   a gestão que nas campanhas vestiu a camisa da INCLUSÃO, APOIANDO O AUTISMO, nega um projeto. Aqui fica a minha dúvida, foi apenas mídia? As crianças autistas precisam de mais atenção dos gestores. Estância é uma cidade totalmente atrasada, as mães atípicas se arriscam todos os dias na estrada, indo para outros municípios porque Estância não tem suporte! É lamentável”, relatou em seu story no Instagram.

Respeitada a independência do Legislativo, é notório que há um problema na condução do executivo junto a base aliada, que precisa urgentemente de alinhamento político. Corre nos bastidores que alguns parlamentares da base estão desalinhados com o líder do prefeito na Câmara, o vereador Sandro de Bibi (PSD) que foi muito criticado pelas falas que fez favorável ao veto do prefeito contra o projeto da vereadora Marta Monteiro, também do PSD. Só para demonstrar essa divisão, três vereadores do partido foram a favor do veto (Sandro de Bibi, Flávio Brasil e Zé da Paz) e três foram contrários (Marta Monteiro, Kaique Freire e Larissa Morais). Pelo jeito o prefeito André Graça, terá um grande trabalho para fazer os ajustes necessários na condução de sua base.

Perguntado pelo Radialista Luiz Carlos Dussantus, no último dia 11/07, durante o Jornal da Rio, sobre a derrubada do veto pelos vereadores, o prefeito André Graça disse que confiava plenamente na independência do Legislativo e não havia nenhum problema com os vereadores.

Só nos resta aguardar os próximos capítulos dessa série, digna da Netflix.

Por Cláudio Hiroshy

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