Finlândia abre mão de neutralidade histórica e anuncia pedido de adesão à Otan


Suécia sinaliza que deve seguir o mesmo caminho; ações são resposta à invasão da Ucrânia pela Rússia

O presidente finlandês, Sauli Niinisto, e a primeira ministra do país, Sanna Marin, durante anúncio do pedido de adesão à Otan – ©Alessandro Rampazzo /AFP

O presidente finlandês, Sauli Niinistö, anunciou neste domingo (15), que vai solicitar a adesão à Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). A ação ocorre em resposta ao conflito entre Ucrânia e Rússia.

Nos próximo dias, deputados devem votar o pedido. Se for aprovado, ele será enviado à sede Otan, em Bruxelas.

Niinistö afirmou que a entrada na organização é aprovada pela maior parte da população e dos representantes políticos do país. Com o pedido de adesão, a Finlândia quebra uma tradição histórica de neutralidade militar.

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“Este é um dia histórico. Uma nova era começou”, afirmou o finlandês. Na quinta-feira passada (12), ele já havia sinalizado a intenção de protocolar o pedido para entrada na aliança, liderada pelos Estados Unidos.

Na ocasião, a Rússia se manifestou por meio do porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov. Ele disse que a adesão é vista como uma ameaça e vai interferir nas relações entre os dois países. “A Rússia será forçada a tomar medidas retaliatórias, tanto de ordem militar-técnica, quanto de outra natureza”, ameaçou Peskov.

Durante a entrevista em que anunciou o pedido de inscrição na Otan, o presidente finlândes Sauli Niinistö ressaltou que “a Finlândia vai maximizar a sua segurança e isso não representa um perigo para ninguém”.

Suécia

Também conhecida pelo não alinhamento militar histórico, de cerca de 200 anos, a Suécia deve seguir caminho semelhante ao da Finlândia. Neste domingo (15), a primeira-ministra, Magdalena Andersson, declarou que vai buscar amplo apoio para adesão à OTAN.

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“O não-alinhamento nos serviu bem, mas nossa conclusão é que não nos servirá tão bem no futuro”, disse ela. Nas palavras de Andersson, a entrada na Otan é “a melhor coisa para a segurança da Suécia e do povo sueco”.

O partido Social Democrata, que está no governo, comunicou que aprova a adesão. A pauta já tinha aprovação de setores de direita do país e, agora, pode conseguir maioria no parlamento. Há uma previsão de que o tema já seja discutido nesta segunda-feira (16).

Edição: José Eduardo Bernardes

Fonte: Brasil de Fato

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