ONU denuncia fome em cerco na Síria e exige acesso humanitário


Na semana passada, dois armazéns de alimentos foram saqueados, “um possível sinal de desespero crescente”, segundo o comunicado da ONU

A situação humanitária nos arredores sitiados do leste da cidade síria de Damasco é “um ultraje”, e as partes do conflito devem permitir que alimentos e remédios cheguem a ao menos 350 mil sírios aprisionados, disse o alto comissário da Organização das Nações Unidas (ONU) para os direitos humanos, Zeid Ra‘ad al-Hussein, nesta sexta-feira.

– As imagens chocantes do que parecem ser crianças gravemente subnutridas; que emergiram nos últimos dias são uma indicação assustadora do sofrimento do povo em Ghouta Oriental; que agora está enfrentando uma emergência humanitária – disse Zeid em um comunicado.

O cerco cada vez maior deixou as pessoas à beira da fome no enclave rebelde; disseram moradores e agentes humanitários à agência inglesa de notícias Reuters.

– Lembro todas as partes que provocar fome em civis de maneira deliberada; como método de guerra constitui uma violação clara da lei humanitária internacional; e pode equivaler a um crime contra a humanidade e/ou um crime de guerra – alertou Zeid.

Seu escritório tem uma lista de centenas de pessoas que precisam ser retiradas por motivos médicos, mas há relatos de que o governo impôs restrições severas a tais retiradas, o que levou à morte de vários civis, disse o comunicado da ONU.

Comboio da ONU

Um comboio da ONU chegou à área sitiada pela última vez em 23 de setembro levando auxílio a 25 mil pessoas.

Os preços dos alimentos dispararam desde que forças leais ao presidente sírio, Bashar al-Assad, assumiram o controle de vários bairros em maio e destruíram túneis que haviam sido usados para contrabandear comida para a área sitiada. Neste mês, elas fecharam o principal posto de verificação que dá acesso a Ghouta Oriental e impuseram um grande aumento nos impostos cobrados dos comerciantes.

Na semana passada, dois armazéns de alimentos foram saqueados, “um possível sinal de desespero crescente”; segundo o comunicado da ONU.

Por Redação, com Reuters – de Genebra

Fonte: Correio do Brasil

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