Eleição para novo líder da bancada evangélica é anulada após briga por causa de cédula impressa e fraude


Em votação marcada por denúncias, nome do PL disputa contra adversário do Republicanos

O deputado Silas Câmara (Republicanos-AM) durante sessão no plenário da Câmara – Foto: Pablo Valadares/Câmara dos Deputados

 

Em meio a uma briga envolvendo o uso da cédula impressa, a Frente Parlamentar Evangélica anulou nesta quinta-feira a eleição do novo presidente da bancada. Ligado à Assembleia de Deus da região Norte, o deputado Silas Câmara (Rep-AM) era considerado o favorito para derrotar o deputado Eli Borges (PL-TO) e o senador Carlos Viana (Podemos-MG).

Nos últimos dias, Eli chegou a despontar com força, devido à articulação do PL e da desistência do deputado Otoni de Paula (MDB-RJ), que declarou voto nele.

Quando a eleição por cédula estava se encaminhando para o fim, o grupo de Eli começou a questionar supostos indícios de fraude no registro de votos.

— Se for declarado um vencedor, eu vou judicializar porque essa eleição foi fraudada — declarou Otoni de Paula, ao se retirar irritado no meio da reunião da bancada evangélica. Segundo ele, parlamentares que não estavam subscritos como membros da Frente votaram em Silas Câmara.

— A gente não diz que somos crentes, irmãos, que somos a palmatória do mundo, que a gente corrige gay, todo mundo. E faz essa sacanagem aqui dentro, eu não tolero isso, não — acrescentou Otoni.

Otoni de Paula desistiu de comandar a Frente Evangélica e apoiou Eli Borges — Foto: Câmara dos Deputados

Devido à confusão, a reunião durou 4 horas e terminou sem se chegar a uma definição. A eleição foi remarcada para a segunda quinzena de fevereiro.

— A minha decisão foi pela nulidade da eleição. Vou publicar um novo edital. Nós tivemos dificuldades por causa do sistema de informática da Câmara — disse o atual presidente da Frente, Sóstenes Cavalcante (PL-RJ).

Os nomes de inscritos fornecidos pela Casa Legislativa não batiam com os da cédula impressa. Segundo ele, houve um problema técnico nas ferramentas de informática da Câmara, que não atualizou o registro de integrantes da bancada, como o da deputada Carla Zambelli (PL-SP) e do pastor Sargento Isidorio (Avante-BA), por exemplo. A inscrição é o que conferia o direito ao voto.

— Briga, briga e briga. Está parecendo o PL — disse um deputado evangélico, aos risos, ao sair no meio da deliberação.

Prevendo o confronto, Sóstenes já havia determinado que a deliberação ocorresse a portas fechadas – até assessores de parlamentares foram impedidos de entrar na sala.

— Eleição dá essa confusão mesmo. Por isso, eu sempre fui a favor de um acordo — afirmou Sóstenes.

Antes da reunião, existia a possibilidade de os candidatos entraram em um consenso para selar a paz. Entre os deputados, que se consideram “irmãos na fé”, houve a sugestão de que um candidato assumiria no primeiro ano e o outro, no segundo.

O problema é que os dois postulantes mais competitivos – Silas Câmara e Eli Borges – queriam iniciar a legislatura na presidência e não arredaram o pé. A votação, então, foi realizada.

Em seu sétimo mandato como deputado federal, Silas já foi presidente da Frente entre 2019 e 2020 e mantém diálogo com líderes de diferentes denominações. Irmão do pastor Samuel Câmara, ele conta com o apoio de parlamentares da Universal, como o senador Marcelo Crivella e o deputado Márcio Marinho, ambos do Republicanos. E até de membros da igreja de Eli, a Assembleia de Deus do Ministério Madureira. O principal deles é o deputado Cezinha da Madureira (PSD-SP), que já presidiu o comitê durante 2021.

A favor de Eli Borges, há o respaldo de boa parte do PL e a movimentação do presidente da legenda, Valdemar Costa Neto. O PL possui hoje a maior bancada na Câmara e na frente evangélica.

— Ele (o deputado Eli) tem muitas chances. É o favorito — disse Valdemar ao GLOBO, nesta quarta-feira.

Fonte: O Globo

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