O Sarapatel Político de Sergipe: Alianças Indigestas e o Xadrez de 2026

A oficialização da renúncia de Valmir de Francisquinho à Prefeitura de Itabaiana para disputar o Governo do Estado carregou um simbolismo pesado. Diferente de outras ocasiões, as imagens não registraram o líder político vibrante; o que se viu foi um semblante contido, quase hesitante. A dúvida que paira é se Valmir se sente seguro de que o “cavalo selado” desta vez não trará os fantasmas jurídicos do passado ou se a pressão do grupo falou mais alto que sua vontade pessoal de gerir a “Cidade Serrana”.
Ao seu lado, a chapa ganha corpo com Priscilla Felizola na vice — unindo o capital político do ex-governador Belivaldo Chagas a uma nova roupagem — e os nomes de Eduardo Amorim e André Davi para o Senado.
A mudança de rota de André Davi (Republicanos) é o movimento mais intrigante. Ao abrir mão de uma eleição quase certa para a Câmara Federal para entrar na “fogueira” do Senado, Davi parece cumprir uma missão de grupo. Essa candidatura fragmenta diretamente o voto bolsonarista e da direita ultraconservadora. Rodrigo Valadares (PL), que esperava canalizar o voto da direita ideológica, agora vê o espaço dividido por um nome de forte apelo popular e histórico na segurança pública.
Thiago de Joaldo demonstrou habilidade ao flertar com o MDB para, no fim, consolidar-se no Republicanos. A manobra serviu para valorizar seu passe e garantir que seu grupo não fosse engolido. Com esse movimento, ele se posiciona para atrair o apoio da prefeita de Aracaju, Emília Corrêa (PL), criando um eixo de influência que pode ser o fiel da balança na capital.
O cenário atual mostra uma oposição dividida em três blocos distintos, o que favorece a sobrevida de projetos menores, mas dificulta uma vitória em primeiro turno contra a máquina que também é um governo de centro-direita:
- Bloco Centro-Direita: Valmir de Francisquinho (Gov), Priscilla Felizola (Vice), Eduardo Amorim e André Davi (Senado).
- Extrema Direita (Chapa “Puro-Sangue”): Liderada por Ricardo Marques para o governo, com Rodrigo Valadares e Luizão DonaTrump para o Senado. O isolamento desta chapa e a ausência de nomes fortes para o Legislativo indicam que o palanque principal de Flávio Bolsonaro em Sergipe atravessa uma crise de estruturação, faltando-lhe musculatura para além das redes sociais.
- Esquerda: Com Helton Monteiro (Gov) e Iran Barbosa (Senado), tentando manter a chama do progressismo raiz acesa.
A chapa liderada por Fábio Mitidieri (PSD), com Jeferson Andrade (PSB) na vice, tenta equilibrar forças antagônicas. A presença de André Moura (União) e Rogério Carvalho (PT) como pré-candidatos ao Senado no mesmo palanque é uma anomalia política que desafia principalmente a base petista. André Moura foi o articulador da cassação de Dilma Rousseff e sempre se declarou opositor ferrenho de Lula. De forma republicana o senador Rogério Carvalho sinalizou que aceita um acordo se Moura declarar voto em Lula. No entanto, é difícil crer que a militância histórica do PT “engula” essa aliança em nome do pragmatismo, o que pode gerar uma debandada de votos ou o crescimento de candidaturas avulsas como as de Alessandro Vieira (MDB) e Edvaldo Nogueira (PDT).
Com duas vagas em disputa e nomes de peso como Rogério Carvalho, André Moura, Eduardo Amorim, Alessandro Vieira, André Davi e Edvaldo Nogueira, a eleição para o Senado em Sergipe será uma das mais acirradas da história.
A pulverização de candidaturas ao governo praticamente garante que a decisão será postergada para o segundo turno. Até lá, o sucesso de cada candidato dependerá de quem conseguirá converter o “sacrifício” partidário em empatia popular para conquistar mentes e corações dos sergipanos e quem sobreviverá ao desgaste das alianças contraditórias.
