quarta-feira, 16 de setembro de 2026
Brasil

PEC da Blindagem cria conflito no Congresso, fragiliza Motta e causa ceticismo sobre anistia

O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), teve comando da Casa fragilizado após derrubada da PEC da Blindagem pelo Senado – Bruno Spada -17.set.2025/Câmara dos Deputados

derrubada da PEC da Blindagem pelo Senado, dias após a aprovação da proposta pela Câmara dos Deputados, estressou a relação entre as duas Casas, fragilizou o presidente Hugo Motta (Republicanos-PB) até com seus aliados e causou um clima de ceticismo em torno de um possível acordo para redução de penas para os condenados pelos atos golpistas, com rejeição da anistia.

O conflito entre Câmara e Senado também alimentou um sentimento de desconfiança mútuo entre Motta e partidos à esquerda e à direita, com acusações de acordos não cumpridos de ambas as partes.

A PEC (proposta de emenda à Constituição) que condicionava processos criminais contra congressistas a uma autorização do Congresso foi aprovada com muito empenho de Motta, que ligou pessoalmente para os colegas para pedir que votassem a favor e mobilizou os líderes de partidos aliados para obter o apoio necessário.

Quatro líderes de partidos dizem que a relação com Motta está abalada e que passaram a ser contestados internamente em suas bancadas sobre a autoridade do parlamentar à frente do plenário –e deles próprios como representantes dos seus partidos, já que foram fiadores do acordo com o presidente da Câmara.

No PDT, por exemplo, a posição favorável à PEC causou uma crise interna e o líder do partido na Câmara, Mário Heringer (MG), chegou a colocar o cargo à disposição. O compromisso de Motta com a esquerda era de que ele ajudaria a rejeitar um requerimento de urgência para a anistia em troca desse apoio, mas o presidente pautou o pedido e ainda trabalhou com o centrão para aprová-lo, em reação ao voto majoritário do PT contra a PEC.

Nesta quarta, o líder do PP, deputado Doutor Luizinho (RJ), um dos aliados mais próximos de Motta, abriu uma reunião com o relator do projeto da redução de penas, o deputado Paulinho da Força (Solidariedade-SP), com críticas ao Senado e seu presidente, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).

Luizinho afirmou que houve um “comportamento errático” de Alcolumbre e do Senado sobre a PEC e que é “preciso garantir a efetividade” do que for aprovado pela Câmara. “Houve quebra de acordo do Senado”, reclamou. Ele defendeu que Paulinho alinhe antecipadamente o projeto da anistia ou redução de penas com os senadores, para evitar um novo episódio desses.

Paulinho, por sua vez, afirmou que vai buscar Motta e Alcolumbre para “refazer a relação com o Senado”.

“Tenho hoje uma desconfiança de que nós votamos aqui, o Senado segura. Então, é preciso que Motta assuma esse papel, de conversar com o próprio Davi [Alcolumbre]. Para que a gente possa pacificar essa relação entre Câmara e Senado, que eu acho que é o básico para poder votar [a redução de penas]. Não dá para pacificar o país se a Câmara e o Senado estão em guerra”, disse.

Fonte: Folha de São Paulo

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