Em nota, clubes do Rio pedem volta às atividades; Botafogo e Fluminense não assinam
No pior momento da pandemia no estado, federação e maioria dos clubes endossam o documento que quer retorno aos treinos. Já Botafogo e Fluminense divergem e não participam

Em documento divugado pela Ferj nesta sexta-feira, os clubes do Rio que disputam a Série A do Campeonato Carioca pediram o retorno das atividades relacionadas ao futebol “o mais breve que lhes for possível”.
A nota foi divulgada no pior momento da pandemia no estado – na quinta-feira, o Rio pela primeira vez confirmou mais mortos em um dia do que São Paulo. Foram 189 óbitos em solo fluminense.
NOTA DE ESCLARECIMENTO DO FUTEBOL DO RIO. pic.twitter.com/dPMY9gqOqz
— FERJ (@FFERJ) May 8, 2020
Entre os grandes clubes, houve divisão no documento divulgado pela Ferj. Vasco e Flamengo participam da carta, mas Fluminense e Botafogo não assinam o documento.
Ao GloboEsporte.com, o presidente alvinegro, Nelson Mufarrej, afirmou não concordar com o retorno às atividades no momento em que o país se aproxima do pico da epidemia.
– É questão de coerência ao nosso posicionamento público. Estamos próximos ao pico da pandemia, com o sistema público perto da asfixia e o que mais se fala é em lockdown. O futebol pode esperar. O retorno tem que ser orgânico. Respeito a atitude dos demais clubes, mas entendemos ser a hora de preservar a saúde de todos e por isso não assinamos – declarou.
O Fluminense se posicionou por meio de nota, na qual afirmou que só pretende retornar aos treinos presenciais com o aval das autoridades.
– O clube acredita que não é o momento do futebol brasileiro dar qualquer sinalização de retorno do esporte quando o país inteiro, particularmente o Rio de Janeiro, está com extrema dificuldade de fazer a população cumprir o isolamento social necessário para reduzir o número de contaminações e mortes por conta do Covid-19, e cidades inteiras começam a anunciar medidas ainda mais severas, como o lockdown – diz a nota do Fluminense.
Os clubes que assinam a carta garantem que estão preparados para reiniciar as atividades em poucos dias, com “rigorosa vigilância” para evitar a exposição e a disseminação da Covid-19. Mas afirmam também que respeitam a posição das autoridades.
Na última terça-feira, representantes dos clubes de menor investimento tiveram uma reunião com o presidente da Ferj, Rubens Lopes, e se comprometeram a contratar empresas para fazer a sanitização e higienização dos ambientes que vão receber os atletas.
Por sua vez, a Ferj prometeu tentar interlocução com as autoridades do Governo do Estados e prefeituras para conseguir a liberação, já que, por enquanto, ainda estão vetadas atividades esportivas. Mas os clubes consideram que podem sensibilizar as autoridades, pois restam poucos jogos para a conclusão do estadual – faltam duas rodadas da Taça Rio e as finais.
REUNIÃO NA PRÓXIMA SEMANA
Com boa relação com a Ferj e com os clubes, o vereador Felipe Michel fez contato com o prefeito Marcelo Crivella para marcar na próxima semana reunião virtual com a Secretaria de Saúde, os clubes de futebol do Rio de Janeiro e o presidente da Federação de Futebol.
Apesar dos esforços e da coordenação entre clubes – sem a participação de Botafogo e Fluminense – e a Ferj nas tratativas para flexibilizar o treinamento dos jogadores, a expectativa é de endurecimento do isolamento social tanto na cidade como no estado do Rio de Janeiro. Crivella e Witzel têm em mãos planejamento de execução do lockdown – bloqueio total – para diminuir o contágio no estado.
– Como ex-atleta e defensor do esporte, sei da importância da retomada das atividades para os clubes, para os atletas, para os profissionais de educação física, por isso me coloquei como interlocutor entre a prefeitura e os clubes. É claro que essa retomada só vai acontecer quando a cidade estiver pronta para tratar de novos pacientes. Estão chegando novos respiradores, o número de leitos de enfermaria e UTI vai aumentar e, consequentemente, a curva diminuir. Executivo e Legislativo devem trabalhar juntos – disse Felipe Michel, que foi secretário de Crivella e jogou futebol profissionalmente.

PLANO DE JOGOS
A Ferj está estudando um plano de volta aos jogos com estratégia para reduzir o risco de contágio e disseminção do coronavírus. A princípio, os jogos seriam realizados em apenas três estádios – Maracanã, Nilton Santos e São Januário – e com redução do quadro de pessoas trabalhando na operação das partidas e nas comissões dos clubes.
Fonte: Globo Esporte
